segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

MINHA REALIDADE

Hoje, o dia mais importante da minha vida. Hoje é o dia em que a vida acontece diante de meus olhos. Hoje é o dia em que posso sentir alegria. Hoje é o dia que posso entregar o peso de meus problemas nas mãos do meu bondoso Deus. Hoje também é o dia em que Deus me sustenta, ampara e guia.
Esse dia, volto a repetir, o mais importante da minha vida, é o que eu realmente tenho. O dia de amanhã não chegou, não posso deixar de viver o hoje para sofrer com pré-ocupações relativas às possibilidades do amanhã. O amanhã pertence à Deus, como dizem há muito tempo os sábios.
Desta mesma maneira, não posso sofrer pelo passado. Ontem foi-se, não volta. Posso usar as experiências deste ontem para não voltar a repetir os mesmos erros. Caminhos já trilhados sei onde levam. Então hoje decido por onde trilhar, tendo os exemplos e a sabedoria do passado e a tranquilidade de um futuro próspero entregue nas mãos de Deus.
Só por hoje pratico aceitação às coisas que eu não posso modificar. Aceitando o fator externo e o livre arbítrio alheio, consigo viver melhor. As vezes é difícil aceitar atitudes, palavreado e até mesmo o modo de vida de outra pessoa. Gostaríamos de ter uma mãe mais presente e carinhosa, um pai que se preocupasse mais conosco. Gostaríamos que o nosso irmão fosse mais dedicado aos estudos e que aquela prima fosse menos idiota. Chegamos a imaginar as outras pessoas sendo diferentes, como numa doentia projeção mental. Nós as queremos diferentes, queríamos que fossem da nossa maneira. Eu peço ajuda a Deus para que eu possa aceitar as pessoas como são. É um exercício sem fim, mas que serve para minha realidade. Preciso disso. Bons momentos aos leitores!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O caminho

O caminho. Palavra simples, porém de amplo significado para mim. Do caminho que eu traçar e seguir é que terei o meu momento. Momentos bons provém exclusivamente do caminho que trilho. Não há como andar pelo caminho fácil e largo e ter uma vida gratificante. Meu caminho é árduo, estreito e difícil. Este meu caminho que traço e sigo é o caminho do bem. É mais fácil ser rude, desonesta, mentirosa. Como é difícil ser sincera... falar a verdade sempre. Como é difícil falar ao invés de gritar, sorrir ao invés de latir. Mas este árduo caminho do bem é o que me retorna todas as coisas boas em minha vida. É através deste caminho que posso receber as bênçãos de ter de volta tudo que faço aos outros e ao mundo.
Para mim não há outra forma de encontrar a felicidade.
Só por hoje: Serei transparente e honesta, me esforçarei para ser educada. Serei agradável e direi apenas verdades. Só por hoje vou dar o melhor de mim, pois certamente isto vai retornar, como já o acontece há algum tempo.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A CAMINHADA

Nesta caminhada encontro bifurcações e dificuldades. Mas o que fazer se é este caminho que devo trilhar? Não saio da estrada, primeiramente. Em segundo lugar, por mais difícil que possa estar tudo, eu não páro de caminhar. Das pedras eu desvio cuidadosamente, pois não posso enfiar o pé em buracos logo atrás delas. Ter uma mão irmã na qual eu possa me apoiar me mostra que vale a pena enfrentar os momentos difíceis, pois dias melhores virão.
Eu sigo hoje decidida a continuar esta caminhada, sóbria.
Minha vida e vontades entregues nas mãos de meu Poder Superior me iluminam a cada momento. Sem esta luz facilmente me perderia do rumo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Antiga vizinha


"A morte tornou-se vizinha e rondava-me. Costumava bater em minha porta antes da meia noite. Oferecia chá e café e queria ter-me de conselheira. Sempre que ia a frente mostrava meu futuro. Quando me fazia olhar para trás abanava com o véu de minha cegueira em suas mãos. Quando andou ao meu lado senti seu hálito, energia e poder. Amiga, ela nunca me tocou. Enquanto fora minhha vizinha, não a temi."

Eu tinha a morte de vizinha por meu próprio modo de vida. Não era a morte que havia se instalado ao meu lado e sim eu que havia passado a morar ao seu. Viver ao lado da morte é uma prática nossa, dos dependentes químicos, quando permitimos, mediante o uso, a atividade da nossa doença. Nós nos mudamos para a casa ao lado da casa da morte. Cruzamos por ela toda hora. Bebemos no mesmo bar que ela e pegamos droga no bico que ela frequenta. Fumamos a mesma marca de cigarro e preferimos os mesmos ambientes. Quando usamos, nós a procuramos, e não ao contrário como pensam alguns.
Na atividade da nossa doença, é com a morte que compartilhamos a seringa do pico no ligeirão na casa do parceria. É a morte que passa a segundona da lata fumegante. É atrás da morte que vamos quando, apesar de não aguentar mais usar, usamos só mais um pouco.
Morte, antiga vizinha. Ainda cruzo por ela, mas muito raramente. Eu me mudei pra outra casa, já há algum tempo. Foi escolha minha. Eu decidi. Claro que não posso dizer para a morte por onde ela pode ou não pode andar, aliás, não posso dizer isso a ninguém. Mas eu pude me afastar dela, retardar a possibilidade do seu toque. Desta maneira, serei tocada pela morte no tempo de Deus e não mais no tempo do Diabo, como eu arriscava a cada instante e a cada uso, na época que eu tinha a morte como minha vizinha.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dias negros

Dias negros aqueles. Tormenta, trevas, sujeira. Defeitos de caráter estimulados, crescidos e aumentados. Eu vivi no inferno. Vivia incertezas diárias e só tinha um objetivo. Usar mais. Fosse mais uma dose ou a saidera, o importante e necessário era estar fazendo uso. Quando não tinha mais, o objetivo era adquirir. Quando tinha era usar. Um círculo doentio de busca, compra e uso. Não se saía desse carrossel de auto-destruição. Quanto mais eu usava, maior ficava minha tolerância à substância e mais ativa minha doença. Mais era a palavra chave. Mais gramas necessárias, mais doses diárias. Mais horas acordada, a milhão. Mais gastos. Mais destruição física, mental e espiritual. Mais velocidade, mais vontade. Os dias se emendavam e as noites eram, ou muito longas, ou curtas demais. Sem meios termos. Tudo eras ou não eras. Ausência total de equilíbrio. Concentração apenas no que se referia ao uso. Planos magníficos eram bolados em segundos. Estratégias dignas de um bom e maluco filme de ficção surgiam como uma estrela cadente, riscando forte o céu, marcando a retina, surprendeendo e impressionando, mas ao mesmo tempo tendo um fim tão rápido quanto sua aparição. Para fazer mais uso, passava na cabeça todas as opções possíveis e pensáveis, cabíveis ou não, lícitas ou amorais.
Dias negros aqueles em que eu não me amava. A cada uso um pouco mais de destruição. A cada uso uma roleta-russa. O que deveria durar 100 indo a 10 ia a 1000... Dias negros aqueles.
Hoje estes dias fazem parte de um passado de lembranças que me ajudam a manter-me como estou hoje, em recuperação. Lembrar-me das loucuradas, do constante suicídio, do nada em que eu havia me tornado, fortalece minha vontade de continuar em sobriedade.

sábado, 6 de novembro de 2010

Decisão

E está tomada a decisão mais importante da minha vida. Manter-me sóbria a qualquer preço. Esta decisão me mantém viva. Cada momento, cada instante. A cada 24 horas que eu decido manter-me sóbria tenho um leque infinito de possibilidades nas minhas mãos. Tudo posso, basta querer. Esta decisão é diária e as vezes precisa ser tomada várias vezes durante um mesmo dia. Por exemplo, hoje pela manhã, logo após acordar, fui invadida por uma insuportável vontade de beber. Esta vontade era muito forte. Sentia como se eu não pudesse sobreviver este dia se não fizesse uso de bebida alcólica. Então eu, após um breve conflito de vozes em minha cabeça, tomei a decisão de que nas próximas 24 horas eu poderia fazer qualquer coisa, execto fazer uso de qualquer substância que alterasse meu humor. Funcionou, só por hoje. Consegui manter-me sóbria por mais um dia, no dia mais importante da minha vida, mantive-me sóbria no dia de hoje.
Amanhã, não importa como eu me acorde, tenho uma decisão importante a tomar. A decisão que vai salvar minha vida. Com a ajuda do meu Poder Superior, do meu padrinho, de companheiros de irmandade e de um programa perfeito e maravilhoso de 12 passos, vou tomar a decisão certa. Vou decidir que por mais um dia, por mais 24 horas vou manter-me limpa e serena, sóbria. Vou decidir viver. Minha decisão será a favor da minha vida. Mais 24 horas de boas decisões a todos os leitores.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Só por hoje..

Os dias passam, coisas diversas acontecem. Não há um dia igual ao outro. A cada amanhecer coisas novas, novas possibilidades, novos caminhos se mostram. Ter a oportunidade de traçar o próprio rumo e tomar as próprias decisões é imensamente prazero para mim. Eu tudo posso na minha vida, desde que eu me mantenha sóbria. Esta nova concepção de vida é tudo para mim. Se tornou o modo como penso, vivo e ajo. Recuperação: vivê-la, sentir seus frutos.
Mas não é só de alegrias que vive um adicto em recuperação. A vida tem suas várias facetas. Dificuldades sempre vão existir, porém encará-las de frente e vivendo em sobriedade é a melhor maneira possível e cabível. Em momentos de dificuldade a voz da doença tenta falar e manipular para que se faça uso da substância tal.. para sentir-se melhor, para diminuir o peso do problema, pode-se ter um milhão de desculpas diferentes e tentadoras. Permitir essa voz falar torna mais difícil a caminhada em abstinência, principalmente com pouco tempo na vida sóbria. Eu costumo calar essa voz, não permito deixar que ela me seduza. Seu timbre, dentro de minha cabeça, é doce, meigo. A voz é tão querida.. mas não permito que fale, não para mim, só por hoje.
Essa voz manipuladora costuma visitar meu pensamentos quando está tudo bem demais também. Em momentos de alegria intensa e satisfação vem uma vontade de celebrar... E essa vontade é de celebrar com um copo na mão, na maioria das vezes. O só por hoje entra de sola nessa vontade, me ajuda a não enlouquecer. Não beber nunca mais é um fardo pesado demais para mim, inconcebível. Então só por hoje, lembrando que hoje é o dia mais importante da minha vida, não vou tomar aquela dose inicial de bebida alcólica, que desencadearia a atividade da minha doença novamente, trazendo o inferno aos meus dias.